Não Tenho Fé para Ser Esquerdista (I)A Esquerda como Religião Secular
- Romulo Sousa

- 23 de jan.
- 5 min de leitura

Olá!
Observe o texto abaixo:
“Trocaram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e serviram a criatura em lugar do Criador.”Romanos 1.25
A frase “não tenho fé para ser esquerdista” costuma ser tratada como ironia política ou slogan ideológico. Entretanto, quando analisada à luz da Escritura, ela revela algo muito mais profundo: uma declaração teológica. Não se trata apenas de discordar de um projeto político, mas de rejeitar uma “fé concorrente” ou outro “evangelho”, o que na verdade, não existe outro:
“⁸ Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.
⁹ Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.
¹⁰ Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Porque se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo.
¹¹ Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens.”
Gálatas 1.8-11
O texto “A religião do ódio: por que deixei de ser esquerdista”, de Paulo Briguet (Gazeta do Povo) parte exatamente desse ponto: a esquerda não opera apenas como movimento político, mas como uma religião secular, com seus dogmas, seus rituais, seus hereges e sua promessa de redenção histórica.
Precisamos definir o que é religião secular. Segundo o GEMINI:
Religião secular é um sistema de crenças comunitário que frequentemente rejeita ou negligencia os aspectos metafísicos do sobrenatural, comumente associados à religião tradicional, atribuindo, em vez disso, qualidades religiosas típicas a entidades terrenas ou materiais .
Principais características:
Foco no Mundo Terreno: Valoriza a vida, a razão e o bem-estar humano aqui e agora, em vez de promessas de vida após a morte.
Rituais e Comunidade: Adota práticas semelhantes a religiões tradicionais, como cerimônias, celebrações e senso de pertencimento, mas com conteúdo não-teísta.
Rejeição do Sobrenatural: Não se baseia em fé, milagres ou poderes divinos, preferindo explicações científicas e lógicas.
Valores Éticos: Fornece um código moral e um propósito para a vida, muitas vezes derivado da filosofia, ciência ou direitos humanos (como no humanismo).
Exemplos de Religiões Seculares:
Humanismo Secular: Ênfase na razão, ética e justiça social, com foco na capacidade humana de resolver problemas.
Ideologias Políticas (em certos aspectos): Comunismo, Nazismo, Juche, que formaram cultos de personalidade e sistemas de crenças abrangentes, como substitutos seculares para a religião.
Religião da Humanidade: Cultos cívicos que visam a veneração da humanidade e do progresso.
Diferença de Secularismo:
Secularismo (Laicidade): É a separação do Estado da religião, garantindo neutralidade e liberdade religiosa.
Religião Secular: É um sistema de crenças em si, que compete ou substitui a religião tradicional, aplicando o "secular" (mundano) a estruturas de fé.
Em resumo, uma religião secular é uma forma de encontrar significado e valores espirituais no mundo material, usando ferramentas da razão e da cultura, sem a necessidade de uma divindade.
1. O ser humano é inevitavelmente religioso
A Bíblia sempre afirmou que o ser humano é, por natureza, um ser religioso. João Calvino descreveu o coração humano como uma fábrica de ídolos. Quando o Deus verdadeiro é rejeitado, algo inevitavelmente ocupa o Seu lugar.
Em Romanos 1, temos: a descrição do paganismo, não apenas como ignorância, mas como substituição: Deus é trocado por algo criado. Essa troca nunca é neutra. Ela redefine moral, propósito e esperança.
A esquerda moderna se apresenta como racional, científica e libertadora, mas na prática funciona como uma fé alternativa, pois oferece:
uma explicação total da realidade (opressor vs. oprimido);
uma doutrina do mal (o adversário ideológico);
uma promessa de salvação histórica (a revolução);
e um juízo final imanente (a eliminação simbólica ou real do inimigo).
Não é exagero chamá-la de religião. É apenas reconhecer sua estrutura real.
2. A transferência da fé: de Deus para a História
Na cosmovisão bíblica, a história não é redentora; ela é palco da redenção. Quem salva é Deus, não o tempo, não o Estado, não o progresso.
A Bíblia afirma:
Só Deus é soberano
“⁹ Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim.
¹⁰ Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade.”
Isaías 46.9,10
Só Cristo é o Redentor
“¹² E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.”
Atos 4.12
Só a graça transforma o homem
“⁸ Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.
⁹ Não vem das obras, para que ninguém se glorie;”
Efésios 2.8,9
A esquerda, porém, desloca essa esperança para a história. A redenção deixa de ser vertical e passa a ser horizontal. O pecado deixa de ser rebelião contra Deus e passa a ser “consciência errada”. O arrependimento é substituído pela militância.
Dizer “não tenho fé para ser esquerdista” é reconhecer que essa transferência exige um tipo de fé que o cristão não pode oferecer, pois ela contradiz a revelação bíblica.
3. Dogmas, rituais e excomunhão ideológica
Religiões possuem ortodoxia e heresia. E as religiões seculares não são diferentes.
O documento analisado mostra que, dentro do sistema esquerdista:
não há espaço real para debate,
a discordância é tratada como pecado moral,
o herege deve ser silenciado, cancelado ou destruído.
Isso ocorre porque, quando a política assume função religiosa, discordar não é apenas errar — é blasfemar. O adversário deixa de ser um interlocutor e passa a ser uma ameaça existencial.
A Bíblia, porém, aponta outro caminho. O cristianismo reconhece o pecado, mas também reconhece a dignidade do pecador. A verdade não precisa da violência para se sustentar.
4. Quando o Estado assume o lugar de Deus
A fé cristã sempre foi profundamente desconfiada do poder absoluto. Não por cinismo político, mas por fidelidade teológica. Apenas Deus é absoluto.
Quando o Estado assume funções messiânicas — redefinir moral, reescrever a realidade, salvar a sociedade — ele deixa de ser servo e se torna ídolo. E todo ídolo exige sacrifícios.
O texto “A religião do ódio” demonstra que, historicamente, esses sacrifícios começam no plano moral (linchamento simbólico) e terminam, não raro, no plano físico.
Por isso, o verdadeiro cristão não rejeita esse sistema por falta de compaixão, mas por falta de fidelidade à doutrina bíblica do pecado e da soberania divina, e à história de todos nós.
Por que isso é uma confissão de fé?
A frase “não tenho fé para ser esquerdista” não expressa arrogância intelectual, mas humildade. Ela reconhece limites:
limite do homem,
limite da política,
limite da história.
Em termos bíblicos, ela poderia ser traduzida assim:
Creio demais em Deus para divinizar o Estado,creio demais no pecado para confiar na utopia,e creio demais em Cristo para aceitar salvadores históricos.
No próximo episódio, veremos por que a utopia revolucionária entra em choque direto com a doutrina bíblica do pecado — e por que essa colisão nunca termina bem.
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➡ Próximo post: Não Tenho Fé para Ser Esquerdista (II): A Utopia que Ignora o Pecado
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