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A BÍBLIA, SPURGEON E EU - parte I

  • Foto do escritor: Romulo Sousa
    Romulo Sousa
  • 5 de abr. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: 4 de nov. de 2025


Parábola dos Solos
Parábola dos Solos / ChatGPT

Olá,


No final do mês de março/2025, assisti um debate em um programa antigo entre pastores de diferentes teorias teológicas analisando “a parábola dos solos” onde consideravam qual teoria teológica colida desta parábola é a certa.


Estes debates sempre me levam a refletir algumas convicções pessoais acerca da fé cristã, dentre elas esta: a autoridade da bíblia. Acredito que a bíblia é a palavra de Deus? Acredito que ela é inerrante e infalível? Dou o devido crédito que ela exige, desconsiderando tradições e ensinos tradicionais em igualdade à autoridade da bíblia?


Sou fã de um debate justo, claro e objetivo, e acredito que o método histórico-gramatical é o único método que a bíblia permite ao leitor compreendê-la. Mas até o meu intelecto e meus sentimentos ponho à prova da bíblia para saber se de fato alinho meu intelecto e e emoções à dignidade que a bíblia exige.


Foram colocados as teorias dos debatedores à prova: o calvinista defendeu que na parábola dos solos está se tratando da fé por meio da eleição e o arminiano defendeu que esta parábola trata da eleição por meio da fé.


Se meu leitor é arminiano, desculpe, acredito que a teoria calvinista expõe o fundamento e mecanismo da salvação plenamente. Por que? Porque a bíblia induz e confirma tal teoria.


Entretanto, tive que reconhecer que a parábola dos solos ensina a eleição por meio da fé. O Sr. Jesus tinha em mente, como suas palavras esclarecem, que a parábola ensina o chamado à fé, chamando a todos os seus ouvintes a crê. Os que não acreditaram ou não acreditam, não creem pela dureza de coração e de ouvir de mal grado a boa notícia desta graciosa salvação. E ainda mais: as parábolas do joio e da rede tem si a finalidade de falar da oposição ao evangelho e do juízo final. No capítulo 13 está claro que os discípulos entenderam a mensagem, porque o Sr. Jesus pergunta e eles confirmam isto: “Entendestes todas estas coisas? Responderam-lhe: Sim!” (Mt 13.51 – ARA).


As parábolas eram ferramentas para comunicação do Reino dos Céus de forma mais simples e acessível à todos. Ao lado disso, o público-alvo são os judeus e ainda que haja um debate sobre o propósito deste evangelho (CARSON, MOO E MORRIS 1997), mas não tenho dúvida de que o propósito é desfazer a crença que os judeus tinham de que, eleitos em Abraão, digo na carne, seriam indubitavelmente salvos e não somente pela fé, somente por meio do Filho de Deus, o Deus Forte dos profetas (p. ex. Is 9.6) como se entendia a mensagem evangélica do Sr. Jesus.


As repetições evocadas por meio do Antigo Testamento das promessas de Deus, da Nova Aliança, do Servo Sofredor, o Reinado de Davi e o Juízo final alinhados à nação judia mostram a intenção do Evangelho Segundo Mateus de registrar o nascimento, vida, ministério, morte e ressurreição diretamente ligados a “(…) salvar o seu povo dos seus pecados”.


Pensei: a minha consciência exige honestidade intelectual da minha parte neste ponto da bíblia, i.e., o que de fato esta passagem e outras estão tratando naquele episódio e/ou circunstância é o que devo apreender e permanecer. E sem abandonar a teoria calvinista, lembrei que alguém muito conhecido, reconhecidamente crente, puritano, calvinista, pastor, referência entre os batista, Charles Hadson Spurgeon, passou por situação semelhante. Ele teve que encarar um desafio contra a própria carne, a mesma que enfrentei; porém, “o senhor me assistiu e me fortaleceu, e me livrou da boca do leão”.


Segundo a história da Igreja¹:


CH. Spurgeon autodenomina-se um calvinista, e não temos dúvida alguma de que ele era, mas ele era seu tipo próprio de calvinista. Ele era desprezado pelos mais fortes [extremados] calvinistas de seu tempo, porque ele convidava todos os homens a serem salvos. (Veja o livro Spurgeon v. Hyper-Calvinism: The Battle for Gospel Preaching", de Iain Murray.)Spurgeon interpretou 1 Timóteo 2.4 literalmente e não tentou explicá-lo pela teologia calvinista. Ele pregou:


“Vamos nós tentar colocar outro significado no texto do que aquele que ele nitidamente tem? Digo que não. Vocês devem, em sua maioria, estar familiarizados com o método geral com que nossos amigos calvinistas mais antigos lidam com esse texto . ‘Todos os homens’, dizem eles, significa ‘ALGUNS homens’ ; ‘Todos os homens’, dizem eles, significa ‘ALGUNS de TODA A ESPÉCIE de homens’. [Mas] O Espírito Santo, através do apóstolo, escreveu ‘TODOS [os homens]’ e, inquestionavelmente,
Ele quis dizer ‘TODOS os homens’ (…).Eu estava lendo ainda agora a exposição de um doutor muito idôneo que explica o texto com a intenção de esclarecê-lo, ele aplica uma ‘pólvora gramatical’ e o explode como uma forma de esmiunçá-lo.
Meu amor por consistência com as minhas próprias opiniões doutrinárias não é suficientemente grande para me permitir, conscientemente, alterar um único texto das Escrituras. Eu preferiria, cem vezes ou mais, parecer ser inconsistente comigo mesmo do que ser inconsistente com a Palavra de Deus. (…) Deus não permita que eu corte ou deforme, mesmo no menor grau, a qualquer expressão divina.
Assim, corre o texto, e assim devemos lê-lo: Deus nosso Salvador; que QUER que TODOS [os homens] sejam salvos e venham ao conhecimento da verdade.”

Considero que TODAS as parábolas contidas no capítulo 13 deste Evangelho tratam da eleição por meio da fé, e não somente este capítulo: todos os demais capítulos usados - por meio das parábolas - para registrar e comunicar os mistérios do reino dos Céus, segundo Mateus, falam fundamentalmente da eleição por meio da fé. Por que? Porque há o chamado ao arrependimento e fé, carregar a cruz, subordina-se a Deus e a sua vontade para participar da Nova Aliança comunicada, p. ex., por Jeremias:


“Eis aí vêm dias, diz o Senhor, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” (Jr 31.31-33 - ARA).


As parábolas do Joio e da Rede deixam pistas para compreensão da fé por meio da eleição, porém, a finalidade das tais não é esta.

Portanto, querendo eu ou não, o pastor arminiano está certo.


A minha crença na autoridade, infabilidade e inerrância na Bíblia permanece intacta.


A minha consciência continua cativa a palavra de Deus.


Spurgeon estava certo sobre 1Tm 2?



REFERÊNCIAS:


CARSON, D. A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. 1997. Vida Nova. São Paulo.


¹ C.H. Spurgeon, "Salvation by Knowing the Truth," Park Street and Metropolitan Tabernacle Pulpit. Site https://solascriptura-tt.org/SoteriologiaESantificacao/1Tm.2.4.E-C.H.Spurgeon.htm




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